O Desafio Jovem que leva Três Coroas para além do Templo Budista

Enquanto eu conhecia o famoso Templo Budista em Três Coroas ficava pensando, nossa, acho que isso dá um post com os detalhes do décor e tudo mais. Como não havia uma programação de atividades por lá no horário em que eu estava pois era fim de tarde, como vocês podem perceber pela luz nas fotos, o que restava era acompanhar o grupo de pessoas que estava lá para conhecer, olhar os monumentos, visitar os templos e contemplar a natureza. E tirar fotos, claro.

Pois mal sabia eu que, depois dessa bela visita, de volta ao centro da cidade, eu ainda fosse encerrar meu dia com uma boa notícia. Na verdade, não imaginava encontrar uma jóia rara logo ali. Foi como num episódio dos Simpsons. A história começa com um determinado assunto e, quando você menos espera, a trama já é outra.

Meu namorado e eu temos um ritual pra conhecer uma cidade que é passar um tempo agradável na praça principal, tomando chimarrão e observando o que acontece, as pessoas, os costumes, o ritmo. Pois na praça central de Três Coroas perguntei a uma mulher onde poderíamos comer salgados, doces, coisas de padaria e café – na verdade eu estava louca por um quindim- e ela “sim, tem um lugar maravilhoso, o Desafio Jovem, fica ali assim, dobrando mais adiante, indo reto, segue toda vida…”. Enquanto nos deslocávamos até lá, ficávamos repetindo que o nome era estranho pra uma padaria ou um café, como assim, Desafio Jovem? O que tem a ver?

Chegamos e logo vimos que, ao lado, grudada na padaria tinha uma pizzaria, e que a padaria não era só padaria, era um mercadinho. E vimos que as verduras, algumas orgânicas, tinham preços absurdamente baratos. E começamos a fazer as compras Continuar lendo

Alguma coisa acontece com as luminárias dos bares do Rio

Foto de Shoptime

 

Uma pesquisa realizada por mim com aproximadamente 20 estabelecimentos concluiu que 99,9% dos bares do Rio de Janeiro são iluminados com as cúpulas chamadas “escadinha”.

A minha pesquisa falhou em não fotografar os participantes da amostra, o que já está na minha lista para uma próxima ida ao Rio.

Tá, pra não dizer que não tirei uma foto sequer, aqui tem uma de um restaurante na Lapa, em que as cúpulas escadinha são usadas de acordo com a decoração do ambiente. O restaurante tem esse estilo destroyed e vejam acima do bar a grande placa de textura enferrujada. Essa mesma textura se repete nos acabamentos dos pendentes das luminárias. O teto arrebatou meu coração com a madeira reutilizada, de réguas desencontradas e respeitando a cor antiga.  Continuar lendo

Parque do Salto Ventoso em Farroupilha – A cachoeira

Foi lendo o jornal no hall de entrada de um restaurante em Farroupilha que ficamos sabendo da cachoeira do Salto Ventoso. Só que conhecer ao vivo mesmo aconteceu muito depois, no verão deste ano. Estava absurdamente quente. Parecia que estávamos naqueles desenhos do Pica Pau, em que o jacaré tenta fazer uma sopa com ele, e começa a picar cenoura e o Pica Pau acha que é algum tipo de banho especial de spa. E, ainda por cima, estava nublado. Então, se você for conhecer essa beleza no alto verão, prepare-se para o forno pré aquecido a 40 graus e a umidade. Do local e sua. Prepare-se também para a pouca vazão na cachoeira, o que não reduz em nada a beleza dela. É tudo muito lindo. Não há o que supere as belezas naturais seja lá de onde for, não é mesmo?

Mas nem só de cachoeira vive o parque. Há diferentes vistas que se tem a partir dali, como o vale verde à frente da cachoeira, lindo. Há trilhas que levam a vários pontos de visitação, como as ruínas de uma antiga casa, tomadas pela vegetação, que mostrarei em breve, em outro post. Além disso, o parque fica numa região que há muito foi habitada por tribos indígenas. E a gente fica sabendo disso por placas explicativas que muito me surpreenderam pelas informações, o que faz do Parque do Salto Ventoso diferente de outros locais que eu já visitei aqui no sul que serviram de residência para os índios. A escassez de informação parece ser um padrão. Então, fiquei positivamente surpresa. Porque turismo é isso, é também Continuar lendo

Contos de horror, belas ilustrações e muitos sentimentos

Quando criança e, como podem ver, até os dias de hoje, eu tinha este livro, Os mais belos contos de fadas recontados por Lornie Leete-Hodge e ilustrados pela premiadíssima Beverlie Manson, de 1981 – sendo o primeiro de 1978. O que me encantou desde o começo foram as formas dos personagens. Eu era fascinada por aqueles seres diferentes de qualquer coisa que eu já tinha visto na minha vidinha. Eu já sabia das histórias, já haviam me contado, e mesmo quando aprendi a ler não me interessava o que diziam. Toda vez que eu abria o livro era pra me perder naquele primor gráfico, naquelas formas estranhas e, ao mesmo tempo, sedutoras.

Estranhas, sedutoras e algumas também horripilantes. Com meus dedinhos, eu abria o livro bem pouquinho, de forma que segurasse a maior parte das páginas juntas, começando a folhear pelo fim porque era lá que morava o ser mais pavoroso já criado. Eu tinha verdadeiro horror àquele gigante da história do João e o Pé de Feijão.

Eu nunca ia até aquela página quando abria o livro. Nem que me pagassem com um balde recheado de Playmobil – que nunca tive, brincava com os dos meus primos. Mas sempre chegava o dia em que eu dedicava um tempo especialmente ao ato de espiar a criatura horrorosa, levantando bem pouquinho as páginas, a fim de Continuar lendo

DIY: Transforme um souvenir em quadro para decorar a casa com boas lembranças

Há várias maneiras de colocar aquela importante relíquia de um momento especial, que você guarda com todo amor e carinho, exposta como uma obra de arte na sua parede. Pode ser o primeiro desenho do seu filho, uma flor que você ganhou de alguém especial e que deixou secar no meio de um livro (alguém ainda faz isso? é uma técnica ótima e daria um belo quadro!), um tecido, como um lenço comprado naquela sua viagem inesquecível. Enfim, há tantos souvenirs que podem virar uma peça única em uma instalação artística particular: a nossa casa. No meu caso, eu transformei um souvenir de viagem em quadro. Não queria o meu achado guardado em uma caixa. Ele deveria estar sempre com a gente, no dia a dia, no viver dentro de casa. É tão bom olhar diretamente para pedacinhos “vivos” dos bons momentos que nós passamos. E é exatamente isso que esta memorabilia representa pra mim.

Eu encontrei este pesinho de pesca na areia da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. A viagem pra lá significou muito pra mim e para o meu marido. E fui encontrar justo nesta praia que fica no bairro da Urca, pelo qual eu já era apaixonada antes mesmo de conhecer pessoalmente. Quando chegamos lá havia somente um casal, com seu guarda-sol e seu cachorro, tomando chimarrão (o casal, não o cachorro) e aproveitando a praia quase exclusiva. Então nós ficamos contemplando Continuar lendo

Anos luz pela fresta da sua janela

Sabe aquelas persianas antigas de plástico com barras que quando fechadas se encaixam umas nas outras e quando abertas mostram furinhos da estrutura por onde passa luz?

Sabe quando você fecha a persiana e fica aquela fresta entrando luz quando não é pra entrar luz?

Sabe quando você sobe a persiana novamente e se esforça com toda a sua energia pra tentar fechar ao máximo e ela continua com as malditas frestas? Continuar lendo

Nozes de cima a baixo na Confeitaria Colombo do Forte de Copacabana

Eis o post que eu falei que existiria um dia. Lembram que eu disse que indicaria um doce pra saborear na Confeitaria Colombo do Forte de Copacabana?

Então, era pouco antes da hora do almoço e nós ainda visitando o forte. Passando pela Confeitaria Colombo que fica ali mesmo, pensei: como ir embora sem comer um docinho?

Escolhi esta muralha de nozes, na verdade, Tartelette de Nozes. Digo muralha porque era tanta noz que eu fiquei alimentada até o dia seguinte. Fui almoçar depois sem a menor fome. Na foto do doce cortado vocês vão entender. Pra quem é fã de noz, é um prato cheio, bem cheio mesmo. Pedimos também a cheesecake com goiabada. Boa, mas nada extraordinária. A estrela desse post é a Tartelette de Nozes.

Mas Juci, porque tanto auê por causa de um doce? Meus amigos, se tem uma coisa certa nesta vida é que os doces sempre nos logram. Sempre vem mais massa que recheio, sempre vem mais creminho de maiseninha que os pedaços das coisas que dão nome ao doce, sempre vem mais gelatina Continuar lendo

Meu Iberê

A intenção aqui não é apresentar ou falar sobre o artista Iberê Camargo. Acho que ele dispensa isso. O que eu quero mostrar, como sempre faço aqui, é o meu olhar sobre o espaço que leva o nome do artista. Eu adoro aquele lugar, e acho que talvez eu consiga fazer vocês entenderem por que causa, motivo razão e circunstância eu adoro aquele lugar. Eu vejo arte pra qualquer canto que eu olho. Vocês vão ver que, literalmente, é qualquer canto. O canto da parede. O canto das vigas. O canto da janela. O canto das rampas. Retas, curvas, vincos, rasgos, luzes, tons, penumbras. Formas, formas e mais formas.

Amo.

Talvez, antes de continuarmos, caiba dizer que a Fundação Iberê Camargo foi desenhada pelo arquiteto português Siza Vieira, que arrebatou dois prêmios com ela. Está de portas abertas desde maio de 2008 e tem vista para o acontecimento natural que é patrimônio mundial: o pôr-do-sol no Guaíba.  Continuar lendo

Quando tomar chá faz bem pra decoração

Quando li esta frase do Goethe pensei que ela tinha tudo a ver com o momento de começar o dia. Sabe, como um lembrete de que a gente pode tentar fazer aquele novo dia ser agradável. E tudo a ver, também, com a hora de dormir, aquele momento em que não reviver as emoções – perrengues – do dia é um verdadeiro desafio, e pensar em coisas boas e desacelerar parece apenas um sonho distante.

Dessa forma, decidi que a frase deveria ficar no meu criado mudo. Então peguei a tesoura, cortei a tag do barbante do saquinho de chá e coloquei a frase em um mini porta-retrato que eu tinha. Não entendeu a relação do chá com a frase? É que ela estava impressa na tag do saquinho de chá. E foi a partir daí que eu comecei a colecionar esses cartõezinhos, com frases de inspiração e também ilustrações fofas. E de coleção ela passou para decoração. Espalhei os cartõezinhos por alguns cantos da casa, como o bar de chá e as mesinhas de cabeceira.

Ali, no porta-retrato, a frase do Goethe que estava na primeira tag que veio até mim – destino? acaso? – e que despertou a vontade de colecionar estas pequenices.  Continuar lendo

Art Nouveau e belas paisagens ou sobre como vivia o povo do Forte de Copacabana

Nunca que eu ia imaginar que conhecer o Forte de Copacabana significaria a retomada dos meus conhecimentos de design em relação a detalhes tão delicados de decoração. E, na verdade, não achei que o conheceria na minha primeira viagem ao Rio pois ele não estava na minha lista. Deixamos o último dia para caminharmos pelas ruas e praias e fazer o que quiséssemos na hora. Era quarta-feira, estava tão tranquilo próximo ao forte que resolvemos conhecer. Adoro esses programas espontâneos que, no final, se mostram um verdadeiro acerto.

Vem comigo nesse passeio cheio de antiguidades, resquícios de movimentos artísticos mundiais e referências de decoração.  Continuar lendo