Um casal sensacional

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Cada um deles merecia o seu próprio post, só que além de terem sido quem foram, além de terem feito o que fizeram, eram casados. Dois grandes designers convivendo sob o mesmo teto. Isso é fabuloso. Robin Day nasceu em 1915 e morreu em 2010, e Lucienne Conradi, dois anos mais nova, morreu no mesmo ano.

Seus trabalhos foram decisivos no estabelecimento de novos rumos para o mobiliário e a decoração do período pós segunda guerra. Eles acreditaram no poder transformador da arte moderna e olharam de maneira positiva para o futuro.

Seus respectivos trabalhos são tão significativos que, se olharmos atentamente ao redor, só dá eles.

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A austeridade do mobiliário do período pré-guerra era bem característica, com móveis sólidos e pesados feitos com um grande volume de material. Após a guerra, os materiais e a mão de obra ficaram escassos e Robin Day, preocupado em solucionar problemas práticos e enxergando o futuro pós-guerra de forma positiva, experimentava novos materiais como madeira compensada e polipropileno injetável para produzir mobiliário de baixo custo para as massas. Ele buscou a leveza usando o mínimo de materiais e sempre com o objetivo de criar peças econômicas. Com essa preocupação, seus desenhos eram leves e, como diziam na época, suas peças pareciam fluturar sobre o chão. Ele dizia que os pequenos espaços precisavam que as pessoas enxergassem acima e abaixo dos móveis. E não é que é a mais pura verdade? Eu sempre preferi móveis com pés altos, que desencostam o móvel do chão, mas não somente pela praticidade para limpar o espaço, mas também pela estética, o ambiente parece que amplia mesmo. Agora eu sei a quem devo ser grata! Ele é considerado o pioneiro da ergonomia antes mesmo do termo existir, e ainda criou cadeiras empilháveis, de fácil armazenamento, e também as escolares. A cadeira vermelha, na imagem acima, lembra muito a Eames e também as cadeiras do Clube Última Hora que eu frequentava quando era pequena. Referência pura!

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Lucienne Day dizia que todo mundo estava tedioso por conta da guerra e em função da falta de variedade, e que isso ajudou a estabelecer uma nova tendência, mais alegre. Após a guerra, os padrões com motivos florais perderam popularidade e foram substituídos por padrões não-representativos, influenciados pela pintura moderna abstrata. Inspirada em Joan Miró e Paul Klee, Lucienne dá uma sacudida no clima e cria padronagens com linhas finas, desenhos irregulares e cores vibrantes para tecidos, papéis de parede, louça, toalhas, tapetes, e tem seu trabalho copiado até hoje. É só prestarmos atenção. Para onde quer que olhemos, há alguma referência ao trabalho desta mulher incrível.

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No que dependeu destes dois, os anos 50 e a arte moderna estão aí até hoje!

Fotos: Reprodução

 

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