Nosso espaço, nossa vida

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Nossa relação com o espaço é completamente sensorial e cognitiva. Precisamos vivenciar e sentir pra saber qual é.

Peraí, já explico.

Meu namorado viveu a vida inteira em uma casa, no nível do mar como costumo dizer, e enorme. Já eu, sempre em apartamento. Quando ele vinha visitar aqui em Porto Alegre, no JK que dividia com minha irmã e minha prima, ele dizia “nunca vou conseguir morar em um lugar assim”. Vários pontos de exclamação ficavam visíveis sobre a minha cabeça. E se no futuro a gente viesse a morar em um lugar, ok, não tão pequeno como aquele, mas em um apê normal? Então não aconteceria?

Mas tudo na vida vai se ajeitando como água em margem de rio, contornando e passando por cima dos obstáculos.

Hoje a gente percebe que não há necessidade de tanto espaço, sobretudo porque não há como manter, e também percebemos que a experiência nos modifica. Assim como ele, eu também terei de me adaptar, pois pensamos em ter uma casa no interior, mas isso é outro assunto e pra bem mais adiante. Mas, de qualquer forma, foi lançado o desafio para eu me acostumar com a morada em casa, na chon!

Nosso apartamento é pequeno. Tem dois quartos mas é um dois quartos enxuto. Não há corredor nem sacada, mas a área de serviço é separada da cozinha, e até ampla. Tudo cabe confortavelmente.

Mas o que mais nos impulsionou a ficar com ele foi o desafio de morar em um espaço reduzido. Queríamos aprender a ter menos coisas. E daí vocês já podem imaginar: se é um desafio morar em um pequeno espaço é porque devem ter muita coisa. Sim, temos muita coisa. Na verdade, eu é que tenho. O Bruno praticamente vive com o essencial. Eu tenho minha coleção de revistas, DVDs, livros, toys e por aí vai. O último item de “grande utilidade” que entrou em casa foi o conjunto de pratinho e talheres que usei quando era bebê, de prata com desenhos em baixo relevo. Minha mãe chegou pra mim um dia e disse quer ficar com eles? Com receio de que fossem fora e em nome da saudosa infância, disse eu fico! É mais uma coisa que guardo em casa.

Pronto, vocês já sabem que sou acumuladora. Pronto, eu já sei que sou acumuladora. Sei? É difícil assumir certas coisas. Mas admitir é o primeiro passo para mudar, não é o que dizem?

Viver em um espaço de proporções light/diet fará eu me organizar e aprender a viver com menos – assim esperamos, amém.

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Mas pra quê falei tudo isso? Quero incentivar vocês a fazerem o mesmo. E também a não rejeitarem de cara qualquer maneira de viver, porque pode ser que vocês descubram um jeito novo de levar a vida que talvez seja até melhor do que o de antes, ou pode não ser melhor, mas abre a cabeça pra uma série de verdades.

Outra questão é que nós temos móveis bem improvisados aqui. Não são móveis que foram pensados para acomodar o que temos. São peças que foram doadas por parentes queridos e que por todo esse tempo foram muito úteis. Mas já não estão mais escondendo a bagunça, se é que vocês me entendem. Então, muita coisa fica de fora, por cima dos guarda-roupas – quem nunca? Então, o próximo passo é detectar as atividades que são realizadas em casa e do que realmente precisamos. Por exemplo, não temos microondas por opção. Não gostamos e não teremos. Então não precisamos de espaço pra ele ou de algum móvel específico. E por aí vai.

É essencial que os objetos usados em cada atividade fiquem guardados onde ela se realizará. Não adianta guardar livros dentro de um armário escondido lá no quartinho da bagunça porque eles nunca serão lidos. Eles devem ficar ali pertinho daquela poltrona confortável que te convida pra uma boa leitura e onde você guarda os seus óculos e os jornais do dia.

Então, o próximo passo é pensar o espaço de forma inteligente, em como ele pode servir às atividades e ao estilo de vida que acontece na casa.

Você já pensou que aquele quarto de hóspedes não faz muito sentido quando na verdade a maioria das suas visitas vem pra um café ou uma janta, no máximo? Nesse caso, um sofá-cama resolve e você ainda pode transformar o quarto de hóspedes em um home office confortável ou um ateliê inspirador.

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Ou, ainda, pode integrá-lo ao estar, ampliando o linving.

Pense nisso. Pense em fazer a sua casa trabalhar pra você.

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Este é o desafio.

E quem tiver alguma história de adaptação a novos espaços, faça o favor e conte-nos!

😉

Fotos: Reprodução / Decor 8

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