A preocupação estética do povo da serra gaúcha

Eu prometi e hoje vou cumprir. Eis aqui o post especial feito pra compartilhar e registrar e imortalizar a beleza que encontrei no caminho que leva até a árvore milenar, aquela que mostrei no primeiro post de 2017 e que fica na Linha Imperial do município de Nova Petrópolis, na serra gaúcha – o post sobre esta árvore fabulosa você pode ver clicando aqui.

Gente, a sensação térmica era de uns quarenta graus e a estradinha de terra denunciava alguns lagartos atravessando de um lado pro outro, o que me deu um pouco de pânico. Não conseguia descer do carro pra fotografar, travada. Abria o vidro, vinha aquele bafo quente, e eu clicava dali do banco do carona mesmo. Até que meu namorado, sensibilizado, resolveu sair do carro pra me proteger dos rastejantes acompanhar nas fotos. A cada clique, um tal de sai do ar condicionado e volta pro ar condicionado. Às vezes, largava de mão e ia caminhando um trecho, mas o calor era muito. Minha câmera ficava encharcada de suor. Mas eu queria muito registrar. Valia muito a pena.

A estrada, estreita, é costeada pelos próprios muros das casas, parece que te abraçam. E nos muros e cercas, uma preocupação estética. Estátuas femininas trabalhadas pelo tempo e pelas intempéries. Fileiras de dálias acompanham o comprimento das plantações de milho fazendo as vezes de cerca – e fala sério, dália? Eu adoro dália, é das minhas flores preferidas depois do cravo, e não é todo mundo que lembra das dálias, foi uma surpresa muito boa. A preocupação dos moradores com a beleza na beira da estrada é encantadora e, mais ainda, porque não se trata de detalhes voltados para eles, somente. Tudo é exposto pra gente, para os visitantes, para os que estão de passagem. Isso me emocionou muito. O cuidado com a área comum, com o espaço de trânsito. Se minha cidade tivesse dois por cento deste cuidado com os cantos e vias, minha nossa, não quero nem pensar o que seria.

Sempre que eu percebo que as pessoas se preocupam de alguma forma em estabelecer uma harmonia e um *bem estar visual* pra quem está para admirar o espaço em questão, eu me emociono. Dá pra sentir que as pessoas têm sensibilidade, têm anseios artísticos, e que não pararam de brincar com as formas e de se admirar com a beleza só porque cresceram.

Eram muitos os cactos também e, como já demonstrei algumas vezes aqui, cactos são uma paixão minha (menos os pequenos peludos, pois atacam nossa pele com aqueles espinhos). Por isso, os que encontrei neste mesmo caminho de terra também terão post especial. Logo logo!

Lindo ver a natureza dando o seu jeito pra tudo dar certo, contornando barreiras, como estas folhinhas novas crescendo entre o arame farpado e a cerca metálica.

As dálias brancas e vermelhas contornam a plantação de milho, criando uma cerca natural. Eu realmente fiquei feliz de ver estas flores que geralmente são meio esquecidas. São as novas margaridas, com um design de linhas mais selvagens e cores improváveis.

Mais uma estátua linda e, ao fundo, uma peça muito comum de ver nas casas antigas e terrenos com história preservada na serra gaúcha, que é o moinho de cana-de-açúcar. Que vontade de tomar uma garapa agora, bem geladinha!

As rosas, com o tempo, se tornam estrelas de cinco pontas.

Esta foto mostra bem a situação da estrada. Ao fundo dá pra ver como ela é estreita, e este conjunto de plantas cresce sobre os muros de pedras, os muros das residências.

Esta é a flor leopardo, um nome que inventei porque foi a primeira associação que me ocorreu. Dá pra notar que ela está meio desmaiada por conta do calor que fazia.

E uma dália branca, repolhuda, linda, pra fechar com chave de ouro.

Espero que tenham gostado dos registros e viajado comigo na contemplação dessas belezas. Lembrando que logo mais tem post especial sobre os cactos.

Fotos: Juciéli Botton | Casa Baunilha

2 ideias sobre “A preocupação estética do povo da serra gaúcha

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