Na varanda: A casa dos sonhos de um mundo melhor

Eu preciso descer! gritei, e foi assim que os pneus frearam levantando poeira na ladeira da estrada de terra por onde passávamos. Foi paixão à primeira vista. Ou melhor, um sonho à primeira vista, parecia que eu tinha entrado num portal que protegia um outro mundo, um mundo onde reina a segurança e as pessoas podem viver livres desse jeito, com gramados abertos, janelas abertas, vista, telhado encontrando o céu, belezas naturais – posso ficar até amanhã descrevendo. Toda a paisagem parecia uma pintura. Parecia uma utopia. Parecia um delírio meu.

Chegando mais perto, fiquei obcecada pelo cenário que mais parecia uma instalação, montado de propósito. Mas não. Era melhor, estava ali o tempo todo, só precisava de uma testemunha. A planta e sua flor se espreguiçavam na frente das venezianas fechadas. Ainda bem que eu estava ali. Era digno de um registro.

A casa da Linha Imperial de Nova Petrópolis, na serra gaúcha, ficava mais interessante porque era datada. Tinha inscrito, na fachada, o ano de 1954, quase certamente o ano de sua construção, e as iniciais W.N., provavelmente o nome do proprietário ou sobrenomes da família. Procurei pela internet e consultei algumas pessoas, mas é difícil precisar de onde veio e como começou essa estética na fachada das casas datadas. Encontrei alguns registros que contam sobre construções datadas na época do Brasil colônia, e que realmente era moda entre os séculos XIX e XX. Provavelmente uma tradição que veio com os portugueses. Se alguém souber mais do que isso, por favor, fique à vontade para agregar conhecimento a este humilde post, neste blog sedento por informações de decoração, arquitetura e design.

Janeiro estava começando, então ainda podíamos ver guirlandas nas portas das casas. O que, ainda bem, era o único enfeite desta, o que me deixou bastante feliz porque pude registrar sua beleza natural, sem muitas intervenções.

O Rio Grande do Sul é um celeiro de cactos. Não poderia não haver pelo menos um no jardim desta casa. Vocês conseguem reparar que nas pontinhas dos galhos há flores cor-de-rosa brotando?

Rosas e, ao fundo, hortênsias e pinheiros, plantas típicas da serra.

Temo que daqui muitos anos, esse modo de vida não exista mais. Por isso brinquei que parecia ter sido transportada pra outro mundo, seguro, livre, calmo, onde cada coisa tem o seu tempo respeitado. O tempo é algo bem relativo mesmo quando se trata de um morar assim.

O que me deixa feliz é que, quanto mais eu rodo por aí, mais eu encontro essas maravilhas, esses oásis em meio ao nosso mundo caótico, e que sempre que eu puder, estarão devidamente registrados.

Amém.

Fotos: Juciéli Botton | Casa Baunilha

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