Alguma coisa acontece com as luminárias dos bares do Rio

Foto de Shoptime

 

Uma pesquisa realizada por mim com aproximadamente 20 estabelecimentos concluiu que 99,9% dos bares do Rio de Janeiro são iluminados com as cúpulas chamadas “escadinha”.

A minha pesquisa falhou em não fotografar os participantes da amostra, o que já está na minha lista para uma próxima ida ao Rio.

Tá, pra não dizer que não tirei uma foto sequer, aqui tem uma de um restaurante na Lapa, em que as cúpulas escadinha são usadas de acordo com a decoração do ambiente. O restaurante tem esse estilo destroyed e vejam acima do bar a grande placa de textura enferrujada. Essa mesma textura se repete nos acabamentos dos pendentes das luminárias. O teto arrebatou meu coração com a madeira reutilizada, de réguas desencontradas e respeitando a cor antiga. 

Já os botecos que integram a minha pesquisa, além de aparentarem uma idade senil, têm a cúpula presa bem próxima ao teto por um suporte de pouca altura, como mostra a foto ali embaixo. O que me faz pensar que, em uma determinada época foi moda estas luminárias e, então, os bares trataram de ser erguidos com esse tipo de iluminação. Tempos depois, os que reformaram e refizeram sua decoração, ou foram recém inaugurados, usam este tipo de cúpula de uma maneira diferente, como o da foto acima, ou trocaram por outro tipo de luminária.

Foto de Play Light Iluminação

 

Tão difícil quanto explicar esta paixão dos botecos por este tipo de luminária é descobrir de onde ela vem e como se reproduz. É praticamente impossível descobrir o designer responsável por esta forma. Na verdade, existem muitas variações. Algumas terminam com um bico para baixo, outras de forma reta, algumas têm os degraus um pouco arredondados nas extremidades, outras completamente em 90 graus. Mas com certeza um certo alguém iniciou esta forma de luminária e depois vieram todas as outras. O único aspecto que podemos afirmar com certeza, pois está na cara de todos nós, é que ela possui design art déco, graças a esse perfume geométrico que ela tem.

Aliás, o Rio é art déco. Quer dizer, tem horas que ele é art nouveau, vide post sobre o Forte de Copacabana clicando aqui. Mas se pegarmos o símbolo máximo da cidade maravilhosa, o Cristo Redentor, daí podemos dizer que ela é art déco porque ele é art déco. Será que foi ele quem disse, inspirado em seu pai, “faça-se a luminária ao meu design e semelhança” e então surgiu a “escadinha” para clarear as ideias dos boêmios cariocas?

Nota sobre esta foto: Me programei para visitar o Cristo pela manhã, pra pegar o sol nascente refletindo de frente nele, só que as previsões não eram muito boas para os próximos dias então nos tocamos para o topo do Corcovado assim que chegamos no Rio, e já era tarde. Resumo da ópera: melhor luz! Adorei que ela realçou as dobras da roupa dele, os traços, os relevos. Melhor horário, gente. Deixo esta dica pra vocês com o maior prazer.

Já que estamos falando de formas, design, art déco, preciso dizer que o Cristo parece muito um fã de heavy metal, com aquela expressão gótica e os cabelos compridos. O que me agrada muito, fico muito feliz em saber do gosto musical dele.

Mas voltando à luminária, às vezes pode ser encontrada na internet como “globo antigo de opalina”, que daí, no caso, são mais caras, ou em sites de empresas que trabalham com vidros de reposição como “globo escada de vidro leitoso”, com certeza mais barato que os antigos de opalina.

Bom, por enquanto era isso. Queria reforçar que eu ainda registrarei todos os botecos que eu encontrar com a cúpula escadinha e toda informação que eu conseguir sobre ela servirá de atualização para este post.

Se você é dona de um bar com cúpulas escadinha, se você já desenhou uma, se você trabalha na indústria delas, se o seu tio avô tem um bar iluminado com elas, se você é uma arquiteta ou designer ou decorador e puder contribuir com informações valiosas sobre este tipo de luminária, por favor, não se acanhe, o espaço para os comentários é todo seu!

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Fotos: Juciéli Botton para Casa Baunilha

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