Antes e depois: casaco oitentinha revisitado

Os anos oitenta foram um período nonsense em termos de vestimenta. É só observar os botões que eram encapados com o mesmo tecido da roupa ou no mesmo tom. O que era isso? A época do combinandinho.

O que eu quero com este post, além de dizer que adoro os anos 80, pois nasci no meio deles e usei muita coisa que hoje rende muitos apelidos, é reforçar a ideia de que basta uma modificaçãozinha numa roupa pra gente voltar a gostar dela novamente. Isso implica em menos compra, o que joga menos poluentes na natureza (a indústria da moda é a segunda que mais polui, vejam clicando aqui), o que faz você economizar o seu suado dinheirinho, o que faz você vestir um casaco com cara vintage mas com um visual atualizado, o que não te deixa com jeito de esforçado para parecer algo pois ele parece seu desde sempre. E tudo isso faz de você uma pessoa super cool. Adoro roupa vintage, adoro brechó, adoro não parecer um cabide de loja.

Para transformar o casaco, eu me inspirei nos trench coats que muito circulam por aí em cores “begesadas” e com aqueles botões pretos graúdos. Os botões pretos graúdos foram os responsáveis por ressuscitar o casaco oitentinha que, por forças do destino, veio parar nas minhas garras. Ainda bem.

Ele tem ombreira, um tom de amarelo há muito esquecido (o que gera contraste com os botões), um comprimento que te dá dignidade (o frio não ataca suas costas, você não parece que pegou o casaco da sua irmãzinha de dez anos e não corre o risco de mostrar o cofrinho com aquela calça de cintura baixíssima que você insiste em usar) e sofisticação. Ele é perfeito.

Se o teu caso de resgate de uma peça querida também depende da substituição dos botões, saiba que eles podem ser encontrados em lojas chamadas de armarinhos ou lojas de aviamentos. Algumas possuem uma infinidade de tipos de botões, de todas as cores, tamanhos, formas e materiais. Eu consegui encontrar uma fimília deles, com botões grandes para a frente do casaco e pequenos para as mangas. Não esqueça de observar essa variação de tamanho dos botões da sua roupa.

Não vai ter passo a passo aqui de como pregar um botão. Imagino que haja milhares de tutoriais por aí. Mas, se eu puder sugerir, aprenda com alguém. Sabe, sentar ao lado da pessoa, pedir um help, conversar e observar ao vivo o que ela está fazendo. Se você tentar costurar um botão ali, na hora, ela já te oferece um feedback se estás indo bem ou no que podes melhorar. Vamos treinar nosso traquejo social. E é libertador saber pregar um botão e, também, um exercício de meditação, de estar no tempo presente. Ninguém faz guerra enquanto se prega um botão. O risco de furar o dedo é alto.

E bem capaz que eu ia criar uma roupa nova e não ia me divertir tirando foto com ela, celebrando o consumo consciente e o reaproveitamento. Vida longa às roupas!

Nota de desconstrução, pra mulherada: meu cabelo não é esse, viu? Assim baixinho, comportadinho. Mas nem de longe, minha filha. (Na verdade, nesta foto ele saiu bagunçado por causa da ventania que fazia). Eu só aproveitei que tinha escovado ele para ir a um casamento no dia anterior. Não via a hora de lavar e ter de volta a minha juba volumosa, meio cacheada, meio ondulada, indefinida, rebelde, meio ressecada em umas partes, tudo isso que faz ele ser uma coisa wild and free. Eu amo meu cabelo do jeito que ele é – às vezes quero matá-lo, mas amo. Vamos amar nossos cabelos. Vamos amar qualquer parte de nós.

Acho que esta foto dadaísta é a minha preferida.

Fotos: Juciéli Botton para Casa Baunilha

2 ideias sobre “Antes e depois: casaco oitentinha revisitado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *