O mundo encantado da Claudia Sperb

“Se viver é dor, eu quero o meu troco em poesia.” Foi parafraseando o cantor Itamar Assumpção que a Claudia começou a conversa com nosso grupo de visitantes em seu atelier e, então, naquele momento, eu não queria saber de mais nada. Nem de fazer a atividade com os mosaicos que ela tinha proposto. Eu queria era passar o dia ouvindo ela falar.

A Claudia Sperb é um tipo de artista que ela própria é a obra em si. Ela é uma poesia ambulante. É puro coração. E essa poesia e esse coração parece que explodiram na casa-parque-instalação-atelier dela. O lugar é lindo, o verdadeiro país das maravilhas. Fica em uma área de mata atlântica onde podemos ver macacos saltando entre as copas das árvores, enquanto a Claudia olha e diz: Não é melhor eles assim? Livres?

Passeando pelo parque, a gente enxerga a Claudia em tudo. No lúdico, nas brincadeiras, no feminino, na força que é esta mulher enquanto criadora e guardiã de tudo aquilo e, ao mesmo tempo, nos gestos delicados e na sensibilidade para as questões da vida. Os mosaicos, tão naturais no nosso dia a dia que nem notamos. Como nosso sorriso, um conjunto de várias pecinhas, ou mesmo o teclado em que digito este texto, um mosaico de teclas, ou até mesmo nosso mural virtual de fotos nas redes sociais, aquele mosaico sem fim. As várias pessoas da nossa vida formam um mosaico. Na infância mesmo, quantas brincadeiras envolvendo mosaicos, o próprio Lego ou aquelas pecinhas em madeira com telhados vermelhos, para construirmos cidades inteiras. A própria ideia que ela propôs ao nosso grupo, de criarmos peças para um grande mosaico, em que muitas mãos já são um mosaico de colaboração em si. Mosaicos são o coletivo, o junto, o de pouco em pouco. São a vida.

E as serpentes são um capítulo à parte na história da sensibilidade da Claudia. Quando criança, perguntou à avó o que eram as flores. E a avó responde: são o arroto das cobras. Desde então, as cobras fascinam a artista, que descobre um mundo simbólico sobre elas. Seres encantados, detentores dos grandes mistérios e conhecimentos, como no símbolo da medicina e em tantos outros casos. O movimento que elas fazem, que nunca é igual, ela enxerga como uma caligrafia, uma identidade, que nunca poderá ser imitada ou replicada. A leitura que a Claudia faz de certas coisas da vida é sensacional. Ela foi tocada pela história das serpentes encantadas e extraiu beleza disso.

O mais legal é saber que a Claudia reutiliza muito material para suas criações. Descarte de obra vira mosaico, colagem, escultura, painel. Um mundo completo. Sem mencionar a grande gravurista que ela é, com uma vida inteira criando belas xilogravuras, processo que ela, com aquele acolhimento, doçura e generosidade, revela a quem for visitar seu atelier.

A Claudia é o próprio mundo encantado. Eu fiquei encantada em conhecê-la pessoalmente. A arte dela, como ela mesma gosta de dizer, “me toca”.

Vou mostrar alguns registros desse mundo encantado e, ao final do post, mais informações sobre o parque-atelier e até um mapa de localização.

As mulheres, esculturas feitas pela mãe da artista, são uma verdadeira sensação entre os visitantes.

Vista deslumbrante para a cidade de Morro Reuter e, mais adiante no horizonte, o município de Dois Irmãos. É pra puxar o banco e contemplar por muito tempo. Acho até que merece mais uma foto:

Uma de suas Serpentes maravilhosamente Encantadas.

O Iódi (tomara que eu tenha escrito corretamente!) é essa calmaria e fofura mesmo que vocês estão vendo.

Casa das matrizes. Todos nós viemos de uma, não é mesmo?

O Parque de Mosaicos, também chamado de Caminho das Serpentes, fica em Morro Reuter, município do Rio Grande do Sul. No espaço, ela ainda oferece cursos relacionados à arte e também, vejam só, hospedagem. Para saber mais informações sobre visitação, contato e outras atividades por lá, eu indico acessar o perfil do parque no Facebook, clicando aqui, ou no site, clicando aqui.

Eu, que quero muito que vocês tenham esta experiência um dia, fiz um mapa para facilitar a localização do parque! Acompanhe a seta amarela que fica mais embaixo no mapa: você está subindo a serra gaúcha, vindo pela BR 116. Passa pelo pórtico de entrada de Morro Reuter até chegar numa bifurcação da estrada. Dobre para a direita, seguindo agora pela VRS 873, e não mais pela BR 116. Você chegará no Parque de Mosaicos.

Vale a pena se encantar!

Fotos e mapa ilustrado: Juciéli Botton para Casa Baunilha

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