Sobre Juciéli

Oi, obrigada pela visita!
Me chamo Juciéli Ehlers Botton, sou diretora de arte publicitária e apaixonada em tempo integral por decoração. A Casa Baunilha foi construída para dividir essa paixão e também para acolher boas ideias. Seja muito bem-vindo!

O velho cais de Porto Alegre

Enquanto o sonho de um cais revitalizado e valorizado do jeito que Porto Alegre merece não se torna realidade, eu deixo aqui alguns registros que fiz em março de 2017 desse lugar mágico e icônico. Digo isso porque, ao contrário de muitas comunidades que se desenvolvem às margens de rios e que celebram essa proximidade tendo boas relações com ele, aproveitando ao máximo essa troca, Porto Alegre ainda não aprendeu a ser uma cidade “ribeirinha” – sim, todos nós estamos cientes de que o bom e velho Guaíba na verdade é um lago, mas é um senhor lago, com toda a capacidade de nos proporcionar uma qualidade de vida melhor. Então, pra mim, o Cais Mauá carrega essa aura de que poderia ser muito mais do que é. Seus portões guardam muito da história da capital e o que está por vir, se concretizado, pode inspirar uma metrópole inteira, a viver melhor e de forma mais intensa sua cidade.

Não é só a altura que a água atingiu na enchente de maio de 1941 que deixou marca na parede de um dos armazéns. Teste de cor com três faixas de tinta indicavam a intenção de revitalização. Eu voto no mais claro, bem à esquerda. Tomara que tenham escolhido esse! Imaginem esse amarelo clarinho virando dourado na hora daquele pôr do sol deslumbrante que só a capital gaúcha consegue pintar.  Continuar lendo

Chocolate é a cor mais quente

Eu vou pular a parte de que as praias mais pra cima no mapa do Brasil são as mais lindas, etcetera e tal e vou direto para a parte de que eu tenho este defeito. Eu enxergo poesia onde ninguém vê, mesmo. Eu tenho essa coisa de olhar pra um dia nublado numa praia com mar chocolate quase sem ninguém e enxergar uma paleta de cores, e não apenas um dia nublado numa praia com mar chocolate quase sem ninguém. De olhar pra uma praia com mar chocolate e enxergar que é a natureza dela. Ou melhor, é a natureza. De olhar pra uma praia com mar chocolate em dia nublado sem ninguém e sentir que estou naqueles cenários de longa metragens americanos onde a famosa escritora de meia idade acaba de se divorciar e reserva um tempo pra si mesma na casa de praia da família e ali mesmo, diante daquele mar chocolate em dia nublado sem ninguém, ela encontra o amor da vida dela, um pescador que na verdade largou a empresa mega bem sucedida de engenharia para viver se alimentando dos peixes que ele mesmo pesca, e do seu cabelo por cortar. Ela, com suas blusas de gola rolê, porque afinal, o que é que combina com um clima nublado em praia quase sem ninguém com mar chocolate, se não uma blusa de gola rolê? E eu já não sei mais porque comecei essa frase, acho que só pra dizer que fazia frio.  Continuar lendo

Na varanda | Protegida pelo jardim

As janelas estavam todas fechadas mas um barulho de máquina de cortar grama, misturado ao latido de um minúsculo cão, saía de dentro do jardim. Eu só queria uma coisa: registrar esta casa linda. Adentrei a mata nativa atrás de quem estivesse executando o trabalho. Achei que fosse avistar na primeira curva, depois do Hibisco, mas me vi num labirinto verde. O som ficava cada vez mais perto mas, ao mesmo tempo, parecia impossível encontrar vida. Fiquei com receio de não saber mais voltar. Cogitei chamar por resgate até que, enfim, Sérgio estava lá, trabalhando no gramado, na soleira das duas horas da tarde. “boa tarde! eu achei esta casa tão bonita… será que eu poderia fotografar?”. Sérgio foi chamar a dona e eu, olhando novamente para as janelas todas muito bem fechadas, “se ela estiver dormindo, não precisa, viu?”, “mas ela tá aqui…” e me levou até os fundos, onde havia uma espécie de varanda fechada. Liliane surgiu na janela e, sem sair de lá, mas com uma receptividade sensacional, “pode ficar à vontade! gostei de ti!”.

Perguntar pra alguém que nunca me viu na vida se eu posso fotografar sua casa, assim, do nada, dá um nervoso… só que totalmente desmanchado pela Liliane: “todo mundo para aqui e pede pra fotografar! já filmaram até curta metragem!”.

Então, lá fui eu bem feliz pelo bosque da casa que já foi cenário de filme.

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O mundo encantado da Claudia Sperb

“Se viver é dor, eu quero o meu troco em poesia.” Foi parafraseando o cantor Itamar Assumpção que a Claudia começou a conversa com nosso grupo de visitantes em seu atelier e, então, naquele momento, eu não queria saber de mais nada. Nem de fazer a atividade com os mosaicos que ela tinha proposto. Eu queria era passar o dia ouvindo ela falar.

A Claudia Sperb é um tipo de artista que ela própria é a obra em si. Ela é uma poesia ambulante. É puro coração. E essa poesia e esse coração parece que explodiram na casa-parque-instalação-atelier dela. O lugar é lindo, o verdadeiro país das maravilhas. Fica em uma área de mata atlântica onde podemos ver macacos saltando entre as copas das árvores, enquanto a Claudia olha e diz: Não é melhor eles assim? Livres?

Passeando pelo parque, a gente enxerga a Claudia em tudo. No lúdico, nas brincadeiras, no feminino, na força que é esta mulher enquanto criadora e guardiã de tudo aquilo e, ao mesmo tempo, nos gestos delicados e na sensibilidade para as questões da vida. Os mosaicos, tão naturais no nosso dia a dia que nem notamos. Como nosso sorriso, um conjunto de várias pecinhas, ou mesmo o teclado em que digito este texto, um mosaico de teclas, ou até mesmo nosso mural virtual de fotos nas redes sociais, aquele mosaico sem fim. As várias pessoas da nossa vida formam um mosaico. Na infância mesmo, quantas brincadeiras envolvendo mosaicos, o próprio Lego ou aquelas pecinhas em madeira com telhados vermelhos, para construirmos cidades inteiras. A própria ideia que ela propôs ao nosso grupo, de criarmos peças para um grande mosaico, em que muitas mãos já são um mosaico de colaboração em si. Mosaicos são o coletivo, o junto, o de pouco em pouco. São a vida.

E as serpentes são um capítulo à parte na história da sensibilidade da Claudia. Quando criança, perguntou à avó Continuar lendo

DIY: 4 ideias que vão salvar o seu Natal

Os convidados, a família e os amigos estão quase chegando e você ainda nem lembrou que o Natal está aí? Calma, vou te salvar com 4 ideias que vão da guirlanda da porta de entrada da sua casa, passando pelos pacotes de presente, subindo o pinheirinho e terminando na sua mesa decorada para a ceia. O mais legal de tudo: cê vai gastar quase nada pra fazer isso tudo.

Da esquerda para a direita, em sentido horário:

Guirlanda: toda trabalhada nas folhas de verdade, é feita com um pedaço de arame e um ramo verde que você pega ali, na praça perto da sua casa – foi o que eu fiz. Clique aqui para o passo a passo.

Pacotes para presente: feitos com papel kraft, tinta preta e tudo o que Continuar lendo

DIY: laranja desidratada para um Natal tropical

Realização de um sonho este pinheirinho enfeitado com fruta desidratada! Eu sempre quis experimentar. Adoro o visual de algumas frutas cítricas sequinhas, ficam bonitas até nas guirlandas e enfeitando pacotes de presente. Sem contar que deixam o visual mais leve. Eu vivo no Brasil, não é mesmo? E, pra mim, não faz sentido a decoração de Natal sufocante e calorenta que é típica de uma parte do mundo onde neva nesta época do ano – lembram que penduram até meia na lareira onde são colocados presentes? Meia! Então, meus enfeites de Natal geralmente não são vermelhos e não têm aqueles tecidos felpudos e outras texturas que possam deixar a minha casa mais calorenta do que ela já consegue ficar no verão. Me dá coceira só de pensar. Menos é mais até no Natal.

Confesso que, por nunca ter me identificado muito com a decoração típica do Natal, eu não me entusiasmava em decorar a casa para a ocasião. Mas quando me dei conta de que eu poderia fazer qualquer coisa na minha casa e produzir eu mesma a decoração, do jeito que eu quisesse, comecei a ver esta época do ano como uma oportunidade de me divertir criando e experimentando. Afinal, é decoração. E a gente adora!

Então, neste ano eu decidi que teria uma árvore enfeitada com fruta desidratada, e a laranja fica sensacional tanto na textura quanto na coloração. Pendurada no pinheirinho mesmo, com aquele fundo verde-natureza, o efeito é mais lindo ainda. Acho incrível a mescla da coloração clara com a escura, olha só:

Na primeira vez em que tentei desidratar as fatias de laranja eu não tive muito sucesso e queimei a maioria. Na segunda tentativa eu consegui fatias mais desidratadas e menos queimadas. Isso pelo fato de eu não ter um forno industrial que oferece temperaturas mais amenas, como a de 50 graus, recomendada para fazer este tipo de efeito. Então, se você tem um fogão normal na sua cozinha, com temperatura mínima de 150 graus (veja só quanta diferença), se liga na tabela que eu fiz com o passo a passo do que não fazer e do que fazer para conseguir Continuar lendo

O décor da Confeitaria Colombo: um caso de amor antigo

Todo mundo tem um lugar que admira e adora mesmo sem nunca ter ido. Pois umas das confeitarias mais tradicionais e deslumbrantes do Brasil era um dos meus. Na verdade, ela continua sendo, mesmo depois de encontrar pessoalmente essa velha amiga que conheci pela internet. Bom, um espaço que une gostosuras pra comer a uma decoração histórica de encher os olhos, que acelera o coração e lota o cartão de memória da minha máquina só pode ser um dos mais queridos, mesmo.

Pelo que li por aí, a Confeitaria Colombo foi fundada em 1894 por imigrantes portugueses e recebeu este nome para homenagear o grande navegador Cristóvão Colombo. Isso explica alguns detalhes do interior da confeitaria, como pinturas em painéis, desenhos em vitrais e convites com ilustrações de caravelas e navegações. Decorada em estilo art nouveau, a confeitaria é a prova viva do que foi a belle époque carioca Continuar lendo

Antes e depois: casaco oitentinha revisitado

Os anos oitenta foram um período nonsense em termos de vestimenta. É só observar os botões que eram encapados com o mesmo tecido da roupa ou no mesmo tom. O que era isso? A época do combinandinho.

O que eu quero com este post, além de dizer que adoro os anos 80, pois nasci no meio deles e usei muita coisa que hoje rende muitos apelidos, é reforçar a ideia de que basta uma modificaçãozinha numa roupa pra gente voltar a gostar dela novamente. Isso implica em menos compra, o que joga menos poluentes na natureza (a indústria da moda é a segunda que mais polui, vejam clicando aqui), o que faz você economizar o seu suado dinheirinho, o que faz você vestir um casaco com cara vintage mas com um visual atualizado, o que não te deixa com jeito de esforçado para parecer algo pois ele parece seu desde sempre. E tudo isso faz de você uma pessoa super cool. Adoro roupa vintage, adoro brechó, adoro não parecer um cabide de loja.

Para transformar o casaco, eu me inspirei nos trench coats que muito circulam por aí em cores “begesadas” e com aqueles botões pretos graúdos. Os botões pretos graúdos foram os responsáveis por ressuscitar o casaco Continuar lendo

Na varanda | Como um girassol amarelo

Eu adoro passear por cidades do interior e da serra gaúcha porque eu preciso descobrir casas charmosas que me dão um rebuliço por dentro e uma vontade imensa de morar nelas. Posso afirmar que esse é um dos meus hobbies, ficar vagando pelas pacatas cidades em busca dessas casas interessantíssimas, tomar chimarrão numa praça em que nunca estive antes, ver o tempo passar em um tempo mais tranquilo. Gente, não precisamos viajar muito pra isso, tem lugares lindos não muito distantes da capital. E sempre que eu volto ou posto alguma foto desses lugares no Instagram, vem alguém animado perguntar o que tem pra fazer lá, onde ir, onde comer, onde comprar, o que ver. E tudo o que eu tenho pra responder pra essa criatura é: ver casas. É tudo o que eu fiz por lá e gostei de fazer por lá. Eu não fico em lojas, eu não entro em shoppings. Eu olho pra fora. Para as casas, os pátios, as ruas, as praças, as pessoas. Eu sou caçadora de “morares”.

O Na Varanda de hoje foi possível porque a Linha Imperial de Nova Petrópolis existe, com todo o seu charme de cidade tranquilona, repleta de natureza Continuar lendo

Entrevista com: Mayara Oliveira – A vida em aquarela

Era madrugada e uma americana praticava desenho de letterings na cozinha do apartamento em Berlim. Mayara viu naquela cena uma liberdade e uma beleza que sua vida mudou definitivamente a partir dali. Publicitária desde a oitava série do colégio, como costuma brincar, sempre foi incentivada pela mãe a pensar desde cedo sobre a vida profissional. Depois de três estágios como diretora de arte – e eu tive a alegria de encontrar com ela durante um deles -, se formou em Publicidade e Propaganda e decolou para a terra do nunca dos criativos. Na Alemanha, viveu aquele tipo de experiência que nos deixa frente a frente com o que a gente realmente quer ser. Lá pegou uma caneta de caligrafia pela primeira vez e não parou mais de ilustrar. Aos 23 anos – até dezembro – e realizada como ilustradora, May me recebeu no seu lindo e aconchegante canto criativo, aqui em Porto Alegre, pra contar pra gente como foi desenhar esse novo caminho profissional, sobre as experiências na Alemanha, sobre trabalhar em estilo home office, sobre romper com um padrão de trabalho antigo e também sobre a dura, porém saudosa, volta ao Brasil.

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