Só hoje! Lista de presentes que são uma pechincha

Quem nunca foi interrogado sobre o que gostaria de ganhar de aniversário? Eu nunca sei o que responder porque, na verdade, fico constrangida em dizer no que as pessoas devem gastar. Ou pior, ter que reafirmar que elas tem que me dar alguma coisa. A verdade é que as coisas que eu mais gostaria de ganhar e que me fariam feliz ninguém considera como um presente. As pessoas geralmente acham que ele deve ser algo extraordinário, gastam muito e ainda por cima podem acabar comprando errado. E é mais ou menos como eu penso também quando vou comprar um presente pra alguém. Ou seja, é um mal que aflige a todos nós.

Então, pra eu não perder a chance de fazer uma lista (adoro fazer listas) e me divertir um pouco com isso, montei um balaio de presentes-pechincha que me fariam muito feliz – com valores que podem variar, claro.

Camiseta branca – R$ 20,00 | Gente, quem não quer uma camiseta branca? Ela é curinga. Vai com você pra cama na hora de dormir e também pra balada sob uma jaqueta de couro. Ela é a base do guarda roupa cápsula, que constitui o básico do básico do seu armário. Mas não precisa ser aquela baby look esturricada, não é mesmo? Um P, ou até um M, masculino tá ótimo. É vendida desde as Lojas do Aldo até a Hering.

Buquê de flores – R$ 15,00 | Tem coisa mais linda que um belo arranjo de flores em casa, pra onde você olha toda vez que passa e fica feliz sempre que vê? “Ah, mas vai morrer logo.” Que nada! Será eternizado no Instagram da Casa Baunilha e aqui no blog também. Tá bom pra você? Nas feiras, eles ainda embrulham somente naquele papel pardo, sem aquelas frescuras plásticas. O buquê da foto eu comprei na tradicional feira orgânica de Porto Alegre, a do sábado na Redenção, e custou 15 reais. Amo esse mix com vários tipos de flor.

Pacote de sabonetes Dov– R$ 12,90 | Ele já é caro por natureza. Nesse período de crise, então, é só isso que ele faz, ficar caro. Então eu adoraria ganhar, sim, com certeza. E rende que é uma beleza: primeiro vai pro guarda-roupa pra perfumar o espaço – sou dessas – e depois vai pro banho.

r do sol no Guaíba – R$ preço da corrida ou carona | Seria um presentaço você me levar ou pagar o Uber/Cabify/ou o que você costuma usar pra gente ir curtir esse espetáculo da natureza juntos. Se for ali em frente Continuar lendo

Sobre tortas que desandam e decepções na vida

Terça-feira de Carnaval, fui comer a minha sobremesa preferida no meu café preferido. Não foi bom. A torta de chocolate amargo me traiu. Ela não quis nem saber pra quantas pessoas mais eu falei que ela era a melhor da cidade. Fiquei me sentindo, além de caluniada, meio desamparada. Afinal, eu não tinha mais uma sobremesa preferida. Eu não tinha mais um destino certo nos finais de semana. Meu namorado provou um pedaço e comentou, nossa, tá estranho, não tá mais como era. E eu ainda tentei forçar uma mentira e disse, não, não achei. Achei sim. Não tava bom. A qualidade caiu. Até que lá pelas tantas eu admiti que ele tinha razão. Foi até um alívio poder dividir com alguém minha decepção. Orgulho de lado, aceitei a batalha já perdida.

Essa história da torta é tão ridícula na sua insignificância perto de situações verdadeiramente graves na vida, que ela foi apenas uma faísca pra eu começar a pensar sobre o assunto.

Decepções são uma certeza na vida. Seja lá em que área for. Seremos tirados, da zona de conforto, sempre. O que não é ruim quando se trata de uma decisão nossa. Mas comecei a pensar no campo de possibilidades que se abriu diante de mim a partir da situação. Provavelmente vou peregrinar por outros lugares agora, em busca de uma nova sobremesa. Será uma descoberta em todos os sentidos. Talvez a torta estivesse me mandando um recado, tipo, sai daqui e vai provar coisas novas, mulher!

Talvez todo esse papo romântico seja só pra tentar camuflar o fato de eu estar muito decepcionada por uma sobremesa tão boa ter desandado. Por eu ter feito sua boa fama pra todo mundo, que agora vai ir lá provar e chegar à conclusão de que eu não sabia do que estava falando.

Bom, entre ficar brigando com uma torta e seguir em frente dando o troco nela, eu prefiro, sem dúvida, seguir em frente dando o troco nela.

Mas sou daquelas pessoas que oferece uma nova chance pra coisa provar que realmente errou. Vai que, naquele dia, a confeiteira teve que ficar em casa com uma virose enquanto outra mão se encarregou da torta? Vai que o estrelato dela já esteja escrito nas estrelas e ela vai, sim, voltar a brilhar?

Acho que vou voltar, só pra ter certeza de que está tudo acabado entre nós, mesmo. Pra eu não olhar pra trás e pensar: e se…

Torçam pra que o melhor aconteça. Seja uma reconciliação ou uma vida nova. Pra nós duas.

Ilustração: Juciéli Botton | Casa Baunilha

O princípio do vazio

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Na última crônica, aquela sobre o nirvana do guarda-roupa, eu comentei sobre a importância do período de fim de ano pra mim já que me inspira a rever muita coisa na vida e, claro, em casa, como arrumação, descarte e desapego – acho que com quase todo mundo é assim, não é mesmo?

Pois muito bem. Certa vez, minha tia querida, Denise, mostrou um texto que me trouxe uma reflexão profunda. Talvez porque mexa um pouco com ego, orgulho, esses cretinos osso duro de roer que não aceitam muito bem uma revolução. O texto não é novo, é do Joseph Newton, já rodou os quatro cantos da internet, mas considero importante ele marcar presença neste momento Continuar lendo

Como atingir o estado nirvana do guarda-roupa?

casa-baunilha-roupeiroaEu juro pra vocês que fico constantemente tentando me livrar de coisas aqui em casa. Maaaas, quando o fim de ano se aproxima, dá aquela vontade que vem lá do fundo do meu ser de fazer uma revolução, descartar e doar boa parte das coisas que tenho e buscar uma vida que seja possível com menos. Pois agora, o meu foco é o guarda-roupa.

Alguns já sabem, eu moro em um apê pequeno – com menos de 50m², e não 200m² como algumas marcas e empresas de decoração gostam de classificar imóveis pequenos – pois justamente porque junto e coleciono coisas, achei que morando em um espaço contido eu teria que me esforçar pra aprender a viver com menos, e a valorizar qualidade e não quantidade. Então é assim desde que decidimos (meu namorado e eu) morar dessa forma.

Pois bem. Em um apê pequeno, quarto pequeno. Para um quarto pequeno, um guarda-roupa menor ainda. E dentro dele, duas partes, sendo que apenas uma é minha, e é dentro dessa minha que tento fazer mágica pra caber tudo. Meu sonho era abrir o roupeiro e enxergar 1 calça jeans, 2 camisas e 1 vestido. A sensação de limpeza mental que deve dar isso deve ser algo fenomenal. Só que Continuar lendo

O dia em que acabei com a ditadura do biquíni na minha vida

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Desde muito nova, usar biquíni era vergonhoso pra mim. Me sentia nua. Sempre me questionei sobre ter que vestir lingerie para ir à praia enquanto os homens seguiam confortavelmente enfiados em seus bermudões e camisetões, mesmas roupas que usam dentro de casa na frente de suas mães.

Mas todo esse questionamento era só meu. Não fui criada pra perguntar, mas pra obedecer. Todo mundo usava biquíni, então eu usava biquíni.

Até que mais velha eu levantei, raras vezes, a discussão para a minha mãe, de que biquíni era pior que lingerie já que mostrava até mais. Mas minha mãe sempre achou a comparação um absurdo, e a vida seguiu sempre igual.

Estou com 31 anos agora. E faz muito tempo que não vou à praia no sentido depilação cavada da coisa (ou seja lá o nome que tem aquele procedimento que cobre de cera fervente até seus pequenos lábios e arranca não só os pelos mas também a sua vontade de viver). Meu contato com a costa do continente nos últimos anos se resume em Continuar lendo

Um ovo de verdade

Estamos às vésperas da páscoa e este ovo não é de chocolate. É um ovo de verdade. E ele é de verdade porque este post é um lembrete para mim mesma.

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Desde que comecei minha busca por viver com menos e de forma simples, tento imprimir este conceito em todos os aspectos da vida.

Então, aproveitando que a páscoa está por vir e que o preço do chocolate está INCRÍVEL – no sentido de que não podemos crer que ele está acontecendo – preciso lembrar do valor e do prazer que é comer comida de verdade e tentar Continuar lendo

Calma, 2016

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Quando vamos desejar boas festas pra alguém, seja natal ou ano novo, parece difícil de sair dos clichês. Acho que só sendo muito íntimo pra falar alguma coisa que não seja aquele texto trivial que chega a atiçar nossa úlcera.

Fico sempre com aquela sensação de que estou fazendo uma coisa errada, porém, fazendo alguma coisa, pra depois ninguém dizer que não fiz nada. Entenderam?

Mas o que eu queria desejar para as pessoas, e isso vem de muito tempo, é calma. Mas quem é que vai gostar de ouvir uma coisa dessas? Iam logo dizer “Tá me chamando de estressado?” ou “Mas eu sou uma pessoa calma!!!!!!!”.

Calma, pessoal.

O mundo tá caótico. As pessoas só falam em falta de tempo. Ninguém mais consegue terminar uma conversa, vocês já repararam? Eu achava que era coisa de quem tinha filho pequeno, mas agora vi que é geral. Será que todo mundo tem déficit de atenção? Aliás, tá todo mundo super hiper medicado. Criança é medicada a torto e a direito porque gosta de correr e brincar e pintar ao mesmo tempo. Mas que criança que nunca?

Calma, gente.

Eu podia estar fazendo um tutorial de enfeites de natal, eu podia estar decorando, mas estou aqui, te desejando o melhor que uma pessoa pode desejar pra outra. Calma.

Já reparou que os dias sempre passam? Um depois do outro? Que o natal sempre acontece? E que o réveillon sempre chega? E que no primeiro dia do ano novo vem aquela sensação de que vai acontecer tudo de novo?

Então, pra que a pressa? Pra que a correria, o estresse?

Onde você estiver, fique bem.

Está preso no trânsito e a meia noite do dia 31 está se aproximando? Fique bem.

Lembre-se de que deve ter mais gente junto com você ou no seu entorno que precisa da sua positividade. Mesmo que você não seja a pessoa mais positiva da Terra, nem a segunda, fique bem. Respire. Lembra o que é isso? É de graça.

É, eu sei, você fez queném eu, deixou pra comprar os presentes em cima do laço. Tudo bem, eles estão todos lá te esperando, a indústria faz um monte deles, não importa o quanto as pessoas comprem, sempre tem muitos deles.

Eu sei, eu sei, a fila já deve estar grande. Pensa naquele pior momento que você já enfrentou na vida. A fila não é nada, certo? Aproveita o tempo e vai atualizando sua lista de presentes a comprar ou coisas a fazer, vai riscando ou criando uma. Vai pensando nas coisas boas que você realizou durante o ano. Vai pensando “que bacana que eu posso estar aqui comprando essas coisas pras pessoas que gosto”. Vai pensando que tudo podia ser pior. Vai pensando que tá tudo bem, e que vai ficar tudo melhor ainda, pois vai acabar. Dia primeiro tá vindo.

Vocês devem estar pensando “Que depressiva, que down, que vibe é essa?”.

Calma, pessoal. É só um post. Nada demais. Se ele servir pra vocês se darem conta de que a vida de vocês é maravilhosa, super feliz, pra cima, colorida, então esse post cumpriu mais do que o seu papel. : )

Mas ele só está desejando calma. Um feliz natal, claro, e um feliz ano novo também, mas, acima de tudo, calma.

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Fotos: Juciéli Botton / Casa Baunilha