O décor da Confeitaria Colombo: um caso de amor antigo

Todo mundo tem um lugar que admira e adora mesmo sem nunca ter ido. Pois umas das  confeitarias mais tradicionais e deslumbrantes do Brasil era um dos meus. Na verdade, ela continua sendo, mesmo depois de encontrar pessoalmente essa velha amiga que conheci pela internet. Bom, um espaço que une gostosuras pra comer a uma decoração histórica de encher os olhos, que acelera o coração e lota o cartão de memória da minha máquina só pode ser um dos mais queridos, mesmo.

Pelo que li por aí, a Confeitaria Colombo foi fundada em 1894 por imigrantes portugueses e recebeu este nome para homenagear o grande navegador Cristóvão Colombo. Isso explica alguns detalhes do interior da confeitaria, como pinturas em painéis, desenhos em vitrais e convites com ilustrações de caravelas e navegações. Decorada em estilo art nouveau, a confeitaria é a prova viva do que foi a belle époque carioca Continuar lendo

Parque do Salto Ventoso em Farroupilha – As ruínas e os pets

No primeiro post sobre o Parque do Salto Ventoso eu mostrei a cachoeira e outras belezas naturais encontradas por lá – cactos ♥. Se você ainda não leu, clique aqui para conferir, porque hoje eu quero mostrar os registros que fiz das ruínas de uma casa construída nos anos 50 por uma família chamada Aguiar, que ficam ali mesmo, no parque.

Parece que ela tinha cinco quartos e dois salões de festa, um deles com cozinha e banheiro próprios. Adorei o jeito que a natureza decorou o que sobrou de, suspeito eu, um banheiro, emoldurando a parede de azulejos azuis com espécies de samambaias e eras.

A casa foi construída numa área que já foi a maior sesmaria do Rio Grande do Sul, por volta de 1885. Lá fui eu entender melhor o que era “sesmaria”: uma área não ocupada, por vezes abandonada, que era repassada do Império para colonizadores. Um hábito trazido de Portugal para facilitar a “domesticação” de um território tão gigantesco como o do Brasil. A área também já pertenceu a um vice cônsul da França no Rio de Janeiro.

Bom, independente de quem tenha morado ou a quem tenha pertencido, Continuar lendo

O Desafio Jovem que leva Três Coroas para além do Templo Budista

Enquanto eu conhecia o famoso Templo Budista em Três Coroas ficava pensando, nossa, acho que isso dá um post com os detalhes do décor e tudo mais. Como não havia uma programação de atividades por lá no horário em que eu estava pois era fim de tarde, como vocês podem perceber pela luz nas fotos, o que restava era acompanhar o grupo de pessoas que estava lá para conhecer, olhar os monumentos, visitar os templos e contemplar a natureza. E tirar fotos, claro.

Pois mal sabia eu que, depois dessa bela visita, de volta ao centro da cidade, eu ainda fosse encerrar meu dia com uma boa notícia. Na verdade, não imaginava encontrar uma jóia rara logo ali. Foi como num episódio dos Simpsons. A história começa com um determinado assunto e, quando você menos espera, a trama já é outra.

Meu namorado e eu temos um ritual pra conhecer uma cidade que é passar um tempo agradável na praça principal, tomando chimarrão e observando o que acontece, as pessoas, os costumes, o ritmo. Pois na praça central de Três Coroas perguntei a uma mulher onde poderíamos comer salgados, doces, coisas de padaria e café – na verdade eu estava louca por um quindim- e ela “sim, tem um lugar maravilhoso, o Desafio Jovem, fica ali assim, dobrando mais adiante, indo reto, segue toda vida…”. Enquanto nos deslocávamos até lá, ficávamos repetindo que o nome era estranho pra uma padaria ou um café, como assim, Desafio Jovem? O que tem a ver?

Chegamos e logo vimos que, ao lado, grudada na padaria tinha uma pizzaria, e que a padaria não era só padaria, era um mercadinho. E vimos que as verduras, algumas orgânicas, tinham preços absurdamente baratos. E começamos a fazer as compras Continuar lendo

Alguma coisa acontece com as luminárias dos bares do Rio

Foto de Shoptime

 

Uma pesquisa realizada por mim com aproximadamente 20 estabelecimentos concluiu que 99,9% dos bares do Rio de Janeiro são iluminados com as cúpulas chamadas “escadinha”.

A minha pesquisa falhou em não fotografar os participantes da amostra, o que já está na minha lista para uma próxima ida ao Rio.

Tá, pra não dizer que não tirei uma foto sequer, aqui tem uma de um restaurante na Lapa, em que as cúpulas escadinha são usadas de acordo com a decoração do ambiente. O restaurante tem esse estilo destroyed e vejam acima do bar a grande placa de textura enferrujada. Essa mesma textura se repete nos acabamentos dos pendentes das luminárias. O teto arrebatou meu coração com a madeira reutilizada, de réguas desencontradas e respeitando a cor antiga.  Continuar lendo

Parque do Salto Ventoso em Farroupilha – A cachoeira

Foi lendo o jornal no hall de entrada de um restaurante em Farroupilha que ficamos sabendo da cachoeira do Salto Ventoso. Só que conhecer ao vivo mesmo aconteceu muito depois, no verão deste ano. Estava absurdamente quente. Parecia que estávamos naqueles desenhos do Pica Pau, em que o jacaré tenta fazer uma sopa com ele, e começa a picar cenoura e o Pica Pau acha que é algum tipo de banho especial de spa. E, ainda por cima, estava nublado. Então, se você for conhecer essa beleza no alto verão, prepare-se para o forno pré aquecido a 40 graus e a umidade. Do local e sua. Prepare-se também para a pouca vazão na cachoeira, o que não reduz em nada a beleza dela. É tudo muito lindo. Não há o que supere as belezas naturais seja lá de onde for, não é mesmo?

Mas nem só de cachoeira vive o parque. Há diferentes vistas que se tem a partir dali, como o vale verde à frente da cachoeira, lindo. Há trilhas que levam a vários pontos de visitação, como as ruínas de uma antiga casa, tomadas pela vegetação, que mostrarei em breve, em outro post. Além disso, o parque fica numa região que há muito foi habitada por tribos indígenas. E a gente fica sabendo disso por placas explicativas que muito me surpreenderam pelas informações, o que faz do Parque do Salto Ventoso diferente de outros locais que eu já visitei aqui no sul que serviram de residência para os índios. A escassez de informação parece ser um padrão. Então, fiquei positivamente surpresa. Porque turismo é isso, é também Continuar lendo

Nozes de cima a baixo na Confeitaria Colombo do Forte de Copacabana

Eis o post que eu falei que existiria um dia. Lembram que eu disse que indicaria um doce pra saborear na Confeitaria Colombo do Forte de Copacabana?

Então, era pouco antes da hora do almoço e nós ainda visitando o forte. Passando pela Confeitaria Colombo que fica ali mesmo, pensei: como ir embora sem comer um docinho?

Escolhi esta muralha de nozes, na verdade, Tartelette de Nozes. Digo muralha porque era tanta noz que eu fiquei alimentada até o dia seguinte. Fui almoçar depois sem a menor fome. Na foto do doce cortado vocês vão entender. Pra quem é fã de noz, é um prato cheio, bem cheio mesmo. Pedimos também a cheesecake com goiabada. Boa, mas nada extraordinária. A estrela desse post é a Tartelette de Nozes.

Mas Juci, porque tanto auê por causa de um doce? Meus amigos, se tem uma coisa certa nesta vida é que os doces sempre nos logram. Sempre vem mais massa que recheio, sempre vem mais creminho de maiseninha que os pedaços das coisas que dão nome ao doce, sempre vem mais gelatina Continuar lendo

Meu Iberê

A intenção aqui não é apresentar ou falar sobre o artista Iberê Camargo. Acho que ele dispensa isso. O que eu quero mostrar, como sempre faço aqui, é o meu olhar sobre o espaço que leva o nome do artista. Eu adoro aquele lugar, e acho que talvez eu consiga fazer vocês entenderem por que causa, motivo razão e circunstância eu adoro aquele lugar. Eu vejo arte pra qualquer canto que eu olho. Vocês vão ver que, literalmente, é qualquer canto. O canto da parede. O canto das vigas. O canto da janela. O canto das rampas. Retas, curvas, vincos, rasgos, luzes, tons, penumbras. Formas, formas e mais formas.

Amo.

Talvez, antes de continuarmos, caiba dizer que a Fundação Iberê Camargo foi desenhada pelo arquiteto português Siza Vieira, que arrebatou dois prêmios com ela. Está de portas abertas desde maio de 2008 e tem vista para o acontecimento natural que é patrimônio mundial: o pôr-do-sol no Guaíba.  Continuar lendo

Art Nouveau e belas paisagens ou sobre como vivia o povo do Forte de Copacabana

Nunca que eu ia imaginar que conhecer o Forte de Copacabana significaria a retomada dos meus conhecimentos de design em relação a detalhes tão delicados de decoração. E, na verdade, não achei que o conheceria na minha primeira viagem ao Rio pois ele não estava na minha lista. Deixamos o último dia para caminharmos pelas ruas e praias e fazer o que quiséssemos na hora. Era quarta-feira, estava tão tranquilo próximo ao forte que resolvemos conhecer. Adoro esses programas espontâneos que, no final, se mostram um verdadeiro acerto.

Vem comigo nesse passeio cheio de antiguidades, resquícios de movimentos artísticos mundiais e referências de decoração.  Continuar lendo

O décor histórico da Biblioteca Pública de Porto Alegre

Era novembro de 2013. Como uma apaixonada por decoração – e por artes gráficas e coisas impressas – compro a revista Casa Vogue e não acredito no que vejo. A Biblioteca Pública de Porto Alegre estampada na capa e em fartas páginas internas. Eu ainda não conhecia e tive de esperar longos 8 anos de reforma pra isso, ou seja, morria de curiosidade pra saber como era esse prédio emblemático. Então, nesse meio tempo, tive de me contentar com o ensaio editorial de produtos de mobiliário com a biblioteca como cenário. Só que a revista tinha aplicado um filtro verde nas fotos, escurecendo os espaços, e isso só me deixou mais curiosa. Quando ela finalmente reabriu… imaginem eu entrando com um olhar de oh my god! E eu tentava disfarçar, afinal, tinha gente trabalhando lá todos os dias, acostumada a toda aquela beleza. Iam achar que eu tinha vindo de alguma realidade paralela. Não, eu não tinha nem uma câmera em mãos pra fingir que era turista.

A tinta descascada na parede revelando desenhos espetaculares por debaixo é de assustar. Mesmo quem não sabe da história percebe que aquela tinta não representa boa coisa. Quis entender mais sobre o prédio, a tinta, os desenhos e tudo o mais que pudesse absorver. O que eu fiz? Fiz o que se faz em uma biblioteca. Peguei dois livros sobre a história do prédio, sentei junto Continuar lendo

Feira do Rio Antigo ou Feira do Lavradio – Um desejo realizado

Eu pesquisei muito sobre o Rio de Janeiro antes de conhecê-lo. Principalmente em se tratando de decoração, usados, antiquários, feiras ao ar livre, onde eu pudesse encontrar souvenirs interessantes e também… gente, muvuca. A Feira do Lavradio, também carinhosamente chamada de Feira do Rio Antigo, se tornou uma experiência pra se viver na minha lista de coisas do que fazer no Rio. E parecia que era pra ser mesmo, porque a feira acontece no primeiro sábado do mês, e eis que eu estava lá no primeiro sábado de maio.

Superou tudo que eu tinha imaginado. A feira é tudo o que uma feira tem que ser, e é ainda melhor. Movimentada mas não a ponto de você não conseguir se locomover. Produtos maravilhosos, tanto da parte de artesanato – produtos novos – quanto dos itens de brechó e antiquário. Aliás, a Rua do Lavradio é uma rua de antiquários. Eles se misturam às barracas da feira. Estas, uma charme só, todas iguais, com um toldo em padrão estampado de listras vermelhas e brancas. Adorei. Mas continuando sobre o que a feira tem de bom, eu ainda destacaria as pessoas. Gente interessante e alegre. Deve ser por causa da música que fica tocando. A feira tem trilha, então todo mundo fica envolvido no clima de corpo e espírito. Samba, música brasileira. Imagina começar o sábado assim.

Deixo aqui alguns dos meus registros sobre esse item que eu tive o enorme prazer em riscar da minha lista. Continuar lendo