O arquiteto do futuro

casa baunilha bernardes

Ontem assisti ao documentário Bernardes e queria muito dizer: vejam! Recomendo muito. Além de se tratar de um material riquíssimo (e premiadíssimo) e muito bem produzido, revela a grandiosidade e a jornada do trabalho do arquiteto brasileiro Sérgio Bernardes, desde a criação de casas para a elite até a preocupação com a organicidade dos espaços urbanos no Brasil. Com 15 anos projeta uma casa pela primeira vez e, ao final da vida, ainda lutava para transformar o Brasil. Tentou levar água aonde havia seca entre outros projetos praticamente utópicos em um país que caminha com passos de tartaruga rumo a… quem sabe?

Aqui, o trailer:

Me chamou a atenção o projeto que apresentava a planta livre, da década de 60, em que as paredes não são usadas como Continuar lendo

Para sempre, um lar

É incrível como nos apegamos a certos lugares. Seja uma cidade muito querida, aquela rua bonita, coberta de verde, a casa que ficou pra trás há décadas, aquele bar. São lugares que ficam na memória, para sempre.

Eu tenho um desses, um lugar muito especial. O apartamento que eu alugava. Morava com a minha irmã no prédio ao lado (alugando) e estávamos sempre de olho nele. Até que finalmente conseguimos nos mudar pra ele (ainda alugando). Depois minha irmã saiu para morar com as amigas e meu namorado veio compartilhar o espaço.

São tantas histórias vividas nele que quase sai a sequência do Se Meu Apartamento Falasse (filme de Billy Wilder, rodado em 1960, nos EUA).

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Hoje, o apê é nosso! Há pouco adquirimos este que foi o nosso primeiro canto, agora também nosso primeiro imóvel. E o apego é tão grande que não pretendemos sair tão cedo daqui.

Muitos de vocês devem ter passado por isso, ou ainda vão ter esta experiência. Visitamos vários à venda, olhamos tantos outros mais pela internet e nada nos agradava. E quanto mais a gente pesquisava, mais nos apaixonávamos pelo nosso alugado. Até que criamos coragem e fizemos uma proposta para a dona. Parecia que era pra ser, pois ela tinha tomado a decisão de vendê-lo no dia anterior! Então não deu outra, era nosso.

the apartment casa baunilhaAs pessoas perguntam se não queremos nos mudar pra um maior futuramente, minha avó fica chocada quando falamos em derrubar uma parede, pensando onde os bisnetos – que nem chegaram – irão dormir, mas a verdade é uma só: vamos curtir nosso apê. Vamos curtir a transformação, as obras, cada detalhe. Vamos curtir o dia de hoje. Tô louca pra arranjar problema, pra ficar em dúvida entre restaurar o parquet ou colocar tecnocimento no piso. Tô louca pra ir nas lojas de antiguidades e trazer pra casa alguma peça interessante. Vocês me entendem né, tem coisa melhor que arrumar nosso lar?

E na medida em que Continuar lendo

Paiê!

Cada um tem o seu melhor pai do mundo. Quem deixa sua própria franja ser cortada pela filha de 4 anos? Só pode ser o melhor pai do mundo, o José Emidio. Meu pai sempre fez de tudo pra ver as filhas felizes. Lembro de quando resolvi ir num show na noite anterior. No dia seguinte, lá foi ele viajar 60 quilômetros pra me levar – debaixo da maior chuva – e comprar um ingresso na sorte, com os cambistas, pois já tinham esgotado. Quando eu não queria dormir de jeito nenhum, sabe-se lá por que, e ficava chorando, era ele que vinha dormir comigo, com metade do corpo pra fora da cama de criança. E quando a porta do meu apartamento recém alugado não queria abrir de jeito nenhum, liguei pra ele perguntando se tinha algum segredo, e ele queria percorrer os 60 quilômetros até aqui em casa pra abrir a porta pra mim… A sorte dele é que lá pelas tantas consegui. Nunca esqueço do dia em que peguei a coleção de gibis dele e, intrigada, perguntei, Pai, tu nunca leu esses gibis? Claro que sim, ele respondeu rindo, é que eu cuidei bem deles. Aquilo me marcou, os gibis pareciam intocados, sem marcas de amassado, dobrado, nada. E tal pai, tal filha. Gosto de cuidar das coisas pra que elas durem, e acho que vem daí o cuidado com os detalhes, o gosto por coisas bem feitas, que me orienta no meu trabalho e também aqui na Casa Baunilha. Meu pai fez eu gostar de Eric Clapton, Joe Cocker e outras velharias do rock, de filmes em preto e branco, Chaplin, e também me passou a mania de se antecipar ao que pode dar errado. E quando dá errado a gente se cobra tanto… Cozinheiro de mão cheia. E desde que me entendo por gente, meu pai está sempre lendo, sempre informado, interessado. Eu chego falando sobre um assunto, achando que vou dizer uma novidade, e ele já sabe. Mas um dia eu chego lá.

Pai, te amo!

Um feliz Dia dos Pais a todos!