Anos luz pela fresta da sua janela

Sabe aquelas persianas antigas de plástico com barras que quando fechadas se encaixam umas nas outras e quando abertas mostram furinhos da estrutura por onde passa luz?

Sabe quando você fecha a persiana e fica aquela fresta entrando luz quando não é pra entrar luz?

Sabe quando você sobe a persiana novamente e se esforça com toda a sua energia pra tentar fechar ao máximo e ela continua com as malditas frestas? Continuar lendo

Nozes de cima a baixo na Confeitaria Colombo do Forte de Copacabana

Eis o post que eu falei que existiria um dia. Lembram que eu disse que indicaria um doce pra saborear na Confeitaria Colombo do Forte de Copacabana?

Então, era pouco antes da hora do almoço e nós ainda visitando o forte. Passando pela Confeitaria Colombo que fica ali mesmo, pensei: como ir embora sem comer um docinho?

Escolhi esta muralha de nozes, na verdade, Tartelette de Nozes. Digo muralha porque era tanta noz que eu fiquei alimentada até o dia seguinte. Fui almoçar depois sem a menor fome. Na foto do doce cortado vocês vão entender. Pra quem é fã de noz, é um prato cheio, bem cheio mesmo. Pedimos também a cheesecake com goiabada. Boa, mas nada extraordinária. A estrela desse post é a Tartelette de Nozes.

Mas Juci, porque tanto auê por causa de um doce? Meus amigos, se tem uma coisa certa nesta vida é que os doces sempre nos logram. Sempre vem mais massa que recheio, sempre vem mais creminho de maiseninha que os pedaços das coisas que dão nome ao doce, sempre vem mais gelatina Continuar lendo

Meu Iberê

A intenção aqui não é apresentar ou falar sobre o artista Iberê Camargo. Acho que ele dispensa isso. O que eu quero mostrar, como sempre faço aqui, é o meu olhar sobre o espaço que leva o nome do artista. Eu adoro aquele lugar, e acho que talvez eu consiga fazer vocês entenderem por que causa, motivo razão e circunstância eu adoro aquele lugar. Eu vejo arte pra qualquer canto que eu olho. Vocês vão ver que, literalmente, é qualquer canto. O canto da parede. O canto das vigas. O canto da janela. O canto das rampas. Retas, curvas, vincos, rasgos, luzes, tons, penumbras. Formas, formas e mais formas.

Amo.

Talvez, antes de continuarmos, caiba dizer que a Fundação Iberê Camargo foi desenhada pelo arquiteto português Siza Vieira, que arrebatou dois prêmios com ela. Está de portas abertas desde maio de 2008 e tem vista para o acontecimento natural que é patrimônio mundial: o pôr-do-sol no Guaíba.  Continuar lendo

Quando tomar chá faz bem pra decoração

Quando li esta frase do Goethe pensei que ela tinha tudo a ver com o momento de começar o dia. Sabe, como um lembrete de que a gente pode tentar fazer aquele novo dia ser agradável. E tudo a ver, também, com a hora de dormir, aquele momento em que não reviver as emoções – perrengues – do dia é um verdadeiro desafio, e pensar em coisas boas e desacelerar parece apenas um sonho distante.

Dessa forma, decidi que a frase deveria ficar no meu criado mudo. Então peguei a tesoura, cortei a tag do barbante do saquinho de chá e coloquei a frase em um mini porta-retrato que eu tinha. Não entendeu a relação do chá com a frase? É que ela estava impressa na tag do saquinho de chá. E foi a partir daí que eu comecei a colecionar esses cartõezinhos, com frases de inspiração e também ilustrações fofas. E de coleção ela passou para decoração. Espalhei os cartõezinhos por alguns cantos da casa, como o bar de chá e as mesinhas de cabeceira.

Ali, no porta-retrato, a frase do Goethe que estava na primeira tag que veio até mim – destino? acaso? – e que despertou a vontade de colecionar estas pequenices.  Continuar lendo

Art Nouveau e belas paisagens ou sobre como vivia o povo do Forte de Copacabana

Nunca que eu ia imaginar que conhecer o Forte de Copacabana significaria a retomada dos meus conhecimentos de design em relação a detalhes tão delicados de decoração. E, na verdade, não achei que o conheceria na minha primeira viagem ao Rio pois ele não estava na minha lista. Deixamos o último dia para caminharmos pelas ruas e praias e fazer o que quiséssemos na hora. Era quarta-feira, estava tão tranquilo próximo ao forte que resolvemos conhecer. Adoro esses programas espontâneos que, no final, se mostram um verdadeiro acerto.

Vem comigo nesse passeio cheio de antiguidades, resquícios de movimentos artísticos mundiais e referências de decoração.  Continuar lendo

O décor histórico da Biblioteca Pública de Porto Alegre

Era novembro de 2013. Como uma apaixonada por decoração – e por artes gráficas e coisas impressas – compro a revista Casa Vogue e não acredito no que vejo. A Biblioteca Pública de Porto Alegre estampada na capa e em fartas páginas internas. Eu ainda não conhecia e tive de esperar longos 8 anos de reforma pra isso, ou seja, morria de curiosidade pra saber como era esse prédio emblemático. Então, nesse meio tempo, tive de me contentar com o ensaio editorial de produtos de mobiliário com a biblioteca como cenário. Só que a revista tinha aplicado um filtro verde nas fotos, escurecendo os espaços, e isso só me deixou mais curiosa. Quando ela finalmente reabriu… imaginem eu entrando com um olhar de oh my god! E eu tentava disfarçar, afinal, tinha gente trabalhando lá todos os dias, acostumada a toda aquela beleza. Iam achar que eu tinha vindo de alguma realidade paralela. Não, eu não tinha nem uma câmera em mãos pra fingir que era turista.

A tinta descascada na parede revelando desenhos espetaculares por debaixo é de assustar. Mesmo quem não sabe da história percebe que aquela tinta não representa boa coisa. Quis entender mais sobre o prédio, a tinta, os desenhos e tudo o mais que pudesse absorver. O que eu fiz? Fiz o que se faz em uma biblioteca. Peguei dois livros sobre a história do prédio, sentei junto Continuar lendo

Feira do Rio Antigo ou Feira do Lavradio – Um desejo realizado

Eu pesquisei muito sobre o Rio de Janeiro antes de conhecê-lo. Principalmente em se tratando de decoração, usados, antiquários, feiras ao ar livre, onde eu pudesse encontrar souvenirs interessantes e também… gente, muvuca. A Feira do Lavradio, também carinhosamente chamada de Feira do Rio Antigo, se tornou uma experiência pra se viver na minha lista de coisas do que fazer no Rio. E parecia que era pra ser mesmo, porque a feira acontece no primeiro sábado do mês, e eis que eu estava lá no primeiro sábado de maio.

Superou tudo que eu tinha imaginado. A feira é tudo o que uma feira tem que ser, e é ainda melhor. Movimentada mas não a ponto de você não conseguir se locomover. Produtos maravilhosos, tanto da parte de artesanato – produtos novos – quanto dos itens de brechó e antiquário. Aliás, a Rua do Lavradio é uma rua de antiquários. Eles se misturam às barracas da feira. Estas, uma charme só, todas iguais, com um toldo em padrão estampado de listras vermelhas e brancas. Adorei. Mas continuando sobre o que a feira tem de bom, eu ainda destacaria as pessoas. Gente interessante e alegre. Deve ser por causa da música que fica tocando. A feira tem trilha, então todo mundo fica envolvido no clima de corpo e espírito. Samba, música brasileira. Imagina começar o sábado assim.

Deixo aqui alguns dos meus registros sobre esse item que eu tive o enorme prazer em riscar da minha lista. Continuar lendo

Como eu salvei a minha pele

Não é expressão popular. Eu realmente tive problemas com a minha pele do rosto a vida inteira e agora, depois de conseguir superar isso, espero ajudar outras pessoas com dramas parecidos por meio deste post de utilidade pública.

O drama

Eu nunca usufruí de uma pele sem espinhas e cravos e marcas dessas espinhas e cravos que eu nunca deixei em paz.

Quando criança, não sabemos que temos e nem o que significa ter uma pele boa, para que ela serve e como usufruir disso. Já na adolescência, quando mais precisamos dessa pele boa… bom, preciso comentar? Só que quando entrei na fase adulta, as espinhas de outras áreas do rosto sumiram só que as do queixo sempre permaneceram, em ciclos, e isso sempre diagnosticado como de causa hormonal. A recomendação era trocar de anticoncepcional e, ainda assim, era só uma promessa de melhora. Acontece que eu cansei de ouvir sobre casos de mulheres que substituíram o remédio, a pele não mudou e ainda por cima engravidaram (e isso é um problema caso você não queira engravidar naquele momento).

Então, eu continuei a viver de períodos alternados entre: Oba, as espinhas sumiram, tô com a pele ótima hoje! Só hoje mesmo, porque amanhã elas voltam. Mas daí tem o creme secante manipulado, indicado pela dermato, que seca as espinhas e também a sua vontade de viver, sua pele escama de tão ressecada que ela fica. E acrescenta a tudo isso a rotina de lavar o rosto com sabonete neutro Continuar lendo

Alles Antiquário em Morro Reuter | RS

Uma das coisas que eu adoro na serra gaúcha são os antiquários de beira de estrada. Não tem emoção que se iguale a de estar passando e, de repente, ver surgir um antiquário – pelo menos pra quem adora velharia e decoração como eu.

Só que mais interessante do que os móveis e os objetos em si é a composição deles no espaço, em como eles estão arranjados em conjunto. O que é um prato cheio pra quem adora fotografar.

O último antiquário que encontrei foi o Alles, que fica em Morro Reuter. E pelo que vi Continuar lendo

Mulheres que inspiram: Betty Davis

O Google insiste que eu fale sobre a Bette Davis atriz branca dos anos 40. Mesmo quando eu procuro por Betty (com Y) Davis singing ele mostra a Bette atriz cantando. Chega a ser irritante. E só reforça a dificuldade que Betty Davis, cantora negra e primeira nasty gal que este mundo viu, enfrentou na sua época e que certamente, do jeito que a coisa anda hoje, continuaria a penar para ser quem ela é: ousada, inovadora no seu funk-rock, sem medo de expor sua sexualidade e de dizer o que pensa e o que quer. Como ela mesma disse um dia, “Sou muito agressiva no palco e os homens não gostam de mulheres agressivas. Eles gostam das submissas ou das que fingem ser submissas”. Que vontade de abraçar ela hoje e dizer “Betty, você não estava sendo agressiva, você estava sendo você, você estava sendo mulher, você estava sendo um ser humano”.

Hoje, dia 26 de julho, a rainha do funk, essa mulher que quase não se explica, completa 72 anos e entra para a lista de Mulheres que Inspiram do blog.

Ela era modelo e DJ muito antes de assinar com uma gravadora, mas sempre escreveu e gravou suas próprias músicas. Ela era realmente à frente do tempo. Uma personalidade hardcore pra época. Sua voz é tão poderosa que, segundo críticos, faz Janis Joplin parecer cantora de coral natalino. Ela definitivamente transformou Continuar lendo